Entrevista em Carta Capital / by Mark Langevin

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“Brasil deve calcular cuidadosamente o que quer e envolver Obama”

Antes da chegada de Joe Biden ao Brasil, o acadêmico Mark Langevin diz que o atrito com os Estados Unidos não está totalmente superado, mas que a postura de Dilma teve pouca repercussão em Washington

Em uma conversa reservada durante as eleições, Dilma Rousseff comentou que o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, era “frágil”. Independentemente da opinião dela, Obama retomou a tentativa de estreitar laços com a petista. Foi um dos primeiros chefes de Estado a telefonar-lhe e parabenizá-la pela reeleição, quis encontrá-la pessoalmente semanas depois em uma reunião de líderes mundiais na Austrália e, agora, despacha o vice, Joe Biden, para representá-lo na nova posse de Dilma.

A principal missão de Biden é tentar agendar a data de uma visita da presidenta a Washington. Ela deveria ter viajado para lá em outubro de 2013, mas desistiu. O motivo foi a descoberta da espionagem praticada pela agência de segurança nacional dos EUA, a NSA, contra autoridades, cidadãos e empresas brasileiros. A revelação esfriou a relação pessoal entre Dilma e Obama. A petista cobrou um pedido formal de desculpas e a promessa de que este tipo de situação não se repetiria. Ele jamais respondeu.

O episódio também chamuscou Biden, desde 2011 escalado por Obama para ser um canal direto e independente das vias diplomáticas com Dilma. Durante a onda de notícias sobre a arapongagem, Biden recebeu em Washington um emissário de Dilma, o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, e dissera que os EUA “não faziam interceptações com finalidades políticas ou econômicas”. Dias depois, soube-se que a Dilma em pessoa fora “alvo” da bisbilhotagem.

Os atritos entre os dois governos não estão de todo superados, mas a dura reação de Dilma teve pouca repercussão em Washington, e Obama está decidido a reconstruir os laços com o Brasil em seu último biênio na Casa Branca, diz Mark Langevin, acadêmico norte-americano de tendências progressistas e estudioso das relações entre os dois países. “O Brasil deveria calcular cuidadosamente o que quer de Washington e agir para envolver Obama”, afirma Langevin, consultor da Associação Brasileira de Produtores de Algodão durante uma disputa internacional recentemente vencida contra produtores norte-americanos, uma das maiores vitórias do Brasil neste tipo de litígio.

Em entrevista por email a CartaCapital, o professor de governo e política na Universidade de Maryland (EUA) e pesquisador associado do Centro Universitário de Brasília (UniCeub) fala sobre o presente e o futuro da relação Brasil-EUA, do reatamento diplomático de Washington com Cuba e da decepção de setores progressistas norte-americanos com o governo Obama pela falta de mobilização popular, entre outros temas.

Leia a entrevista completa aqui.